Todos cobravam muito dela: seja na escola ou na sua própria casa. De fato, tudo aquilo que ela tinha havia custado um preço, sua liberdade. Não é que ela não pudesse sair, ou coisa assim, mas ela estava presa de uma maneira diferente. Estava presa a si mesma.
Henrie sempre fora do clube dos perdedores. Era humilhado e rejeitado. Mas não era por sua beleza ou a falta dela, mas sim pelo fato de se dedicar demais aos estudos e por optar por estilos diferentes dos habituais. Costumava se vestir de acordo com seu humor. Nos dias em que ficava triste, se vestia de preto (da cabeça aos pés) e nos dias em que estava feliz, parecia um arco-íris humano. Mas o mais estranho era que nesses dias de felicidade, ele sempre encontrava uma velha amiga.
Jess e Henrie se conhecem desde o jardim de infância, mas parece que suas vidas tomaram rumos muito diferente: Ela, é da corte da escola (e muito infeliz por isso) e ele é do clube de xadrez, mas nunca nega um sorriso a ninguém.
Eles se vêem em todos os verões porque desde que se conheceram fazem essa jornada até o interior para respirar um pouco de ar fresco.
O problema é que Henrie sempre foi apaixonado por Jess, mas ela nunca notou. E além disso, Jess namorava o capitão do time de futebol, Heitor, que provavelmente daria uma surra no garoto se soubesse de seus sentimentos.
Heitor era aquele cara que todas as meninas amam e todos os garotos odeiam: musculos com pernas. E ele queria algo de Jess, que ela não queria dar: sua virgindade. E isso o deixava muito mal, mas ela sabia que era puro teatro.
Garotos são terriveis quando querem conseguir algo, ainda mais algo como isso.
Faltavam um dia para o solstício o verão e Jess sentia que não devia ir, mas não sabia porque. Já Henrie contava os minutos para estar olhando nos olhos de suas melhoramiga/amada outra vez. E foi então, na noite anterior a viagem, que Jess sonhou com o acampamento.
Ela estava no pier, fitando o grande lago negro que o acampamento tinha prometido manter "vivo" contra o aquecimento global, quando do meio da água, um corpo começou a sair, do nada. E por mais que ela tentasse enxergar quer era, não conseguia. Tudo que via era um vulto e um par de olhos, que ela jurava nunca ter visto na vida. Mas ela não prestou mais atenção em quem era, porque ele estava beijando sua boca. Ela não exitou e sentiu a melhor sensação do mundo.
- Jess... - Ele começou a dizer.
E de repente ele começou a chacoalhar ela. Não, não era ele. Era seu pai tentando acordá-la. Já passava das oito da manhã e eles deveriam ter pegado a estrada às sete.
Eles passaram na casa de Henrie, que sempre ia de carona com os velhos conhecidos.
Chegando no acampamento, Jess correu para o lago, com esperança de encontrar aquele garoto por lá. Mas não havia nada além de água naquele lugar. E então, quando ela voltava para a entrada, para ajudar a descarregar suas coisas, foi surpreendida por um abraço de urso de Henrie. Ela queria sair logo dos braços dele.
Já ele queria que aquele momento durasse para sempre. Ou até além.
Com a nova roupa de escoteiro, ele passava do patamar da humilhação e Jess começou a sentir vergonha alheia por ele, quase chegou a falar, mais isso magoaria o garoto. Ela só assistia, enquanto ele literalmente se matava, apenas para conseguir levar as malas dele e ainda assim, se ofereceu para levar as dela, que provavelmente teria o dobro do peso.
E ele levou.
Ele ficaria no chalé 01, como sempre tinha ficado pelo bom desempenho nas atividades do acampamento e ela, bem não tinha tanta habilidade. O chalé era praticamente do outro lado do acampamento, no lado norte do lago e o número era 13. Com ela sempre ficavam mais duas carotas, Ronie e Paris. As duas eram igualmente bunitas, como Jess. Mas Jess tinha algo especial.
Algo que ia além dos olhos verdes, da pele clara, do cabelo longo e negro. Algo muito além. Algo que ninguém além de Henrie conseguiria notar. E, pode acreditar, diferente da popularidade, do dinheio e tudo mais, ninguém iria querer ter isso andando lado a lado com você, para onde quer que você fosse.
continua...

